Francisco Santana Gautier
Objectivo: -100m No Limits
Recorde Nacional
Apresentação:
Chamo-me Francisco Santana Gautier
Nasci em Lisboa no dia 9 de abril 1975
Sou professor de apneia
Como apareceu a apneia na tua vida?
Como a maior parte dos miudos, sempre passei muito tempo dentro, ou melhor debaixo de água. Nas piscinas, mas no oceano também. Com os meus primos passavamos as férias no Alentejo… Porto Covo… São Torpes… sempre enfiados no mar.
Aos cinco anos, em 1980 fui viver com os meus pais para Moçambique. Nos primeiros anos ainda se podia viajar no interior do Pais e aproveitamos para conhecer aquela costa. A minha mãe é que era mesmo dada para aquilo….com uma mascara e um par de barbatanas passavamos horas a mergulhar. Pemba, Nacala, Ilha de Moçambique… um autentico paraíso.
A partir de 84 com a guerra já não se podia circular com tanta facilidade. A única possibilidade para sair de Maputo em segurança, era o mar.
Foi nas ilhas em frente de maputo que comecei a mergulhar mais a sério. Mas com os tubarões, nao me deixavam mergulhar em certos locais… Só mais tarde, já para o fim em 1993 com o João Cardoso é que comecei a caçar ao largo da inhaca... Uma verdadeira revelação.
Fui para o sul da França nesse mesmo ano para acabar os meus estudos. Integrei o NUC subaquatico em Nice… a meca da apneia. Adorei…continuei….ainda lá estou!
Fizeste da apneia a tua profissão…
Sim,
Comecei investir na vida do clube…em paralelo da universidade, estava sempre lá metido. Eramos ums quantos assim.
Puxar cabos, arrumar material, arranjar, organisar…em contrapartida, mergulhavamos de borla e faziam-nos passar os diplomas necessarios para poder ensinar. Eramos a nova geração.
Juiz international, competidor, instrutor, organisador, hoje sou responsável do centro que se chama CIPA.
Somos muito poucos no planeta a viver da apneia…é uma sorte que saboreio todos os dia.
Tens a dupla nacionalidade…porquê um recorde português ?
Sim, o meu pai é francês e a minha mãe portuguesa… Tenho a dupla nacionalidade.
Uma das razões é que o nível do No Limits em França é altíssimo… não tenho hoje o nível para pretender bater um recorde Francês que também seria um recorde do mundo (Loïc Leferme, recordista mundial)
Mas a razão principal é que estou intimamente ligado a apneia Portuguesa… Em 2000 participei na organisação do campeonato do mundo AIDA em St Jean Cap Ferrat, ao lado de Nice no sul da França. Fiquei surpreendidissimo ao ver que não havia uma equipa Portuguesa.
Nesse tempo a AIDA Portugal ainda não exsitia e a Federação Portuguesa de Actividades Subaquaticas não reconhecia a apneia desportiva. Depois de dez meses de trabalho, e com a ajuda do Miguel Azeredo, do Carlos Garção e do Carlos Costa, colocamos a primeira selecção Portuguesa, na qual participei, num campeonato do mundo de apneia. Pouco tempo depois nascia a AIDA Portugal. Entretanto fui participando no seu desenvolvimento… como competidor e como conselheiro técnico. Pareceu-me lógico tentar este recorde a 100 m… uma profundidade mítica que esperamos ajudará a promover o nosso desporto frente ao grande público.
Qual é o teu treino para este record ?
Nado bastante, de preferencia no mar. E menos monotono do que numa piscina e posso assim alternar natação com mergulho em peso constante. Além disso passo muito tempo em altitude, onde pratico snowboard e “passeios” em raquettes de neve. Nada de treinos em ginásio.
Não vou necessitar aumentar o meu tempo de apneia. Já tenho uma boa base com o peso constante que é muito mais físico que o No Limits.
A minha principal preocupação é relactiva à compensação dos ouvidos.
Trata-se de um mergulho a 100 m… o que é bastante fundo. A essa profundidade o corpo esta submetido a uma pressão importante. Todas as cavidades que conteem ar, tal como os pulmões ou ainda os ouvidos vão estar comprimidos, submetidos a uma pressão da água cada vez mais importante à medida que for progredindo na profundidade. Os volumes de ar vão ser divididos por 11. Vou passar de 6 litros de capacidade vital (pulmões) a 0.5 litros. Continuar a equilibrar os ouvidos com tão pouco ar torna-se extrêmamente difícil.
Ainda por cima, se não estiver bem preparado, posso nem chegar a ter essa reserva de meio litro.
Para isso trabalho muito sobre a flexibilidade do meu corpo, principalmente ao nível da caixa toráxica e do diafragma. Alongamentos antes e depois de dos treinos…faço muitas descidas na zona dos 40 metros com os pulmões vazios para reproduzir as sensações encontradas a grande profundidade.
Só a pouco tempo é que comecei a treinar a sério com o trenó. Costumo quando dou aulas, descer no trenó de cabeça para baixo e com uma mascara. Para ir mais fundo preciso ir de cabeça para cima, e com uma pinça para o nariz…sem mascara….sem quase nenhuma visibilidade…nada facil quando não se esta habituado. E só uma questão de tempo e de treino. Seja como for, espero estar já a mergulhar a mais de 100 m na primeira semana de junho para ter uma margem de segurança e estar a vontade no dia da tentativa.
Francisco Gautier é Freediver (***), Trainer AIDA (***), Juiz Internacional e é actualmente recordista nacional na disciplina de Peso Constante com -45m, marca conquistada no Campeonato do Mundo em Ibiza 2002.
Homolgação: AIDA Internacional.
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